Raphael Garção, como empurrado pelas duas balas que lhe entraram no peito, recuou alguns passos e caiu de bôrco, e os braços cruzados entre o peito e a terra.
Os lavradores, depois da descarga, levantaram grande grita e apupada. D’além, dos confins da freguezia, irrompeu medonha celeuma de brados, e estrondear de tiros.
Observou um dos homens:
—Querem vocês vêr que os patifes entraram na freguezia? Carrega e avança, rapazes!...
E correram em direitura ao ponto da vozearia.
Beatriz esperou alguns minutos, dizendo entre si:
—Elle agora já podia sair da mina, que por aqui não está ninguem!
Esperou ainda alguns segundos... e disse á sua criada confidente, que estava com ella:
—Isto que será?! Elle não apparece!... Tu que pensas?...
—Eu não sei, fidalga! respondeu a criada. Terá medo de ser visto, por alguem, que nós d’aqui não enxerguemos, e o fidalgo veja lá de dentro da mina...