Morrêra.

Ao anoitecer, chegou Nicoláo de Mesquita. Já desde o alto da serra eminente a Palmeira ouvira o dobrar dos sinos. Tangiam as torres das irmandades de todas as freguezias proximas.

Apeiou, correu ao quarto de sua mulher, e viu-a, na ante-camara, amortalhada, com Martinho Xavier á cabeceira do esquife.

—Que é isto!—exclamou elle—expliquem-me esta horrenda desgraça!...

Martinho Xavier não respondeu. Nicoláo instou pela resposta com gesticulação de furioso, guinando os olhos ameaçadores a todos os lados.

Saiu ás salas, cheias de gente. Ergueu um brado, pedindo a historia da morte de sua mulher.

—Ninguem sabe responder—disse uma voz.

Acercaram-n’o os cirurgiões, e contaram o que sabiam: os criados depozeram lealmente o que tinham visto, e accrescentaram que a ama do menino desapparecera.

—Vão buscal-a! vão prendel-a!—rebramiu Nicoláo.

Martinho Xavier acompanhou o cadaver da filha até ao jazigo da capella, depois de ter assistido aos responsorios. Saiu da capella; e, sem entrar a despedir-se do pae do seu neto, tomou a creancinha nos braços, e accelerou o trote do cavallo, caminho de Chaves.