E sumiu-se entre a multidão.

Como descêra até ali Margarida Froment?

Uma palavra o diz: envelhecêra.

Os ultimos quatro annos da sua vida tinham sido o vasquejar, os relampagos da luz que vae apagar-se. Os amantes não quizeram assistir ás trevas. Viram-lhe a primeira ruga na fronte, o amortiçar-se o raio coruscante dos olhos, o artificio da pelle, o lustroso sobrenatural das madeixas.

Fugiram-lhe, e ella, orgulhosa sempre, não solicitava piedade.

Desenganou-se, despida dos artificios. O espelho foi-lhe a garganta do abysmo. Viu-se e despenhou-se á extrema devassidão, cuidando que morria assim mais depressa.

Ernesto encontrou-a no portico do Mont-de-Piété. Ella saia de empenhar o chale, elle entrava a empenhar o casaco. Não se reconheceram. O empregado na recepção de penhores, ao escrever o appellido de Ernesto, disse-lhe:

—Sahiu n’este instante uma Froment. É sua parenta Margarida Froment?

—Saiu agora?

—Agora mesmo.