—Desgraçada?
—Aqui não vem ninguem feliz?
—Que signaes tem?
—Uma cara de fome, um mantelete de côr duvidosa. Empenhou um chale por quatro francos.
Ernesto desceu rapidamente. Era difficil encontral-a. Fitou em rosto as mulheres todas que denunciavam fome, e trajavam manteletes de côr duvidosa. Não viu Margarida em nenhum, e pozera os olhos n’ella, a ultima que vira comprar um pão.
Margarida reparou no homem que a fitava. A desfiguração de Ernesto era menos sensivel. Conheceu-o, e disse-lhe:
—Queres metade d’este pão, Ernesto?
—Quem és tu?!—perguntou elle.
—Uma condemnada por Deus, que te pede a morte.
—És Margarida?—perguntou Ernesto serenamente.