—Sou.

—Não te matei, quando era honra matar-te. Agora, vive, e segue o teu caminho. Deus ha-de cumular sobre ti a pena do teu crime, e a pena egual aos tormentos que soffro, sem ter sido culpado. Vae teu caminho.

Vivia ainda em Leão a mãe de Margarida. Pela terceira vez a desamparada se lhe foi lançar aos pés. Foi repulsada sempre pelas criadas de sua mãe.

Tinha um irmão rico nas Antilhas. Pediu-lhe tres vezes perdão do seu infortunio, e uma esmola. A segunda e terceira cartas não foram abertas.

O francez morreu solteiro e rico, no momento de retirar-se a França.

A mãe de Margarida herdou muitos milhares de francos. Os jornaes contaram o successo. Margarida foi quarta vez ajoelhar-se á porta do quarto de sua mãe.

—Não tenho filha,—respondeu a descaroada.—Não cuides que terás quinhão na riqueza de meu filho. Eu gastarei o que tenho em obras piedosas.

E, quando scismava em dar brado com as suas obras piedosas, morreu n’um como deliramento de amor da humanidade.

Margarida Froment recolheu quatrocentos mil francos. Mandou procurar o marido a Pariz. Encontraram-n’o secretario de uma companhia de cavallinhos, a franco por dia.

Ernesto recebeu lettras de duzentos mil francos, e estas breves linhas: