—Desconfia que elle ame outra mulher!—instou ella alvorotada.

—Desconfiei.

—É impossivel! exclamou Beatriz—Quem hade ser? Aqui ninguem vem; nós não vamos a parte nenhuma.

—Então que suppões tu d’esta pasmosa torvação de teu marido?

—Que me aborrece.

—Não é assim.

—É, meu pae. Elle não póde deixar de sentir por mim o que eu sinto por elle.

—Pois não o amas, Beatriz?

—Como hei de eu amal-o n’este martyrio? Sabe lá o que eu soffro ha dez mezes! E então, nos ultimos tres, não tenho refrigerio... Uma hora abraça-me, outra repelle-me. Já temi que elle endoudecesse... Meu pae,—proseguiu ella com vehemente fervor de supplica—tire-me d’aqui, leve-me para si, restitua-me uma parte da satisfação que eu tinha de viver, antes d’esta fatalidade!

—Paciencia por alguns dias, filha!—replicou o pae enternecido a pranto.—Isso não póde ser assim. O mundo assacaria aleivosias deshonrosas para todos. Já agora tem força por mais algum tempo; é o teu bom pae que t’o pede.