N’este mesmo dia abriu Nicoláo de Mesquita a Coalisão, jornal portuense, e, acaso, relanceando a vista ao folhetim, depararam-se-lhe as palavras Margarida Froment. Leu o folhetim, que se intitulava:
Á BEIRA-MAR
Era uma mescla de verso e prosa, consoante o gosto dos litteratos amphibios d’aquelle tempo. Começava assim n’este estylo fraldoso e apopletico, vulgarmente chamado biblico:
«.........................................
«E o teu cantar é saudoso como o das filhas de Israel ás abras das aguas plangitivas do Euphrates.
«E as harpas eolias gemem bafejadas por teus labios, como a cythara de Saul.
«Oh Agar, sentada nas areias estuosas do deserto de Berzabé! Canta, canta, oh filha das lagrimas!
Ai! quantas vezes, ó triste,
Esse teu amargo pranto
Desafogaste no canto!
Ai! quantas vezes sentiste
Mais precisão de chorar!...
Ai! canta, canta, que ha lagrimas
No teu dorido cantar!
.............................................
Ao cantar te acode a infancia
Com seus sorrisos e flores;
Feres notas que te falam
Como falavam amores,
Outras são gemidos d’alma;
Mas todos teem seu gozar!
Ai! canta, canta, anjo triste,
Quando quizeres chorar!