«E o homem, que te havia roubado aos braços do esposo, esse não chorava, porque uma aragem da região glacial das trevas lhe tinha congelado as glandulas, e o sangue nos pulmões, e fizera d’aquelle coração um cinerario hediondo, como os pomos de Pentapolis!

«Oh Margarida, que dôr será a tua, insondavel e immensissima, quando o coração te paira por terras de França, e vês a mãe que te carpe, e o marido que aperta ao seio o inutil punhal de sua vingança!...

«Ai! canta, canta, que ha lagrimas
No teu dorido cantar!
Ai quantas vezes sentiste
Mais precisão de chorar...
Ai! canta, canta, anjo triste!»

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Seria crueza dar a copia integral do folhetim, que ao deante, era muito mais puxado do peito, e menos intelligivel.

O poeta datara-o na Foz em outubro de 1840.

Uma local do mesmo numero da gazeta, dizia:

«Á beira-mar. Com este titulo publicamos hoje um folhetim de um nosso amigo, que tão brilhantemente se estreia. As letras patrias devem esperar d’este mancebo fructos tão sasoados quanto as flores são bellas. Á parte o talento senão genio, do mavioso poeta, devemos confessar que o motivo de sua inspiração não podia sair com menos de uma obra prima. Tambem nós tivemos a honra e o jubilo de escutar hontem á noite a voz melodiosissima de mad. Margarida Froment, dama já conhecida por sua belleza e intelligencia. Agradecemos cordealmente ao cavalheiro Ricardo de Almeida o convite que nos proporcionou ajuntarmos o nosso brado de admiração ao de tantos, que se gosaram o prazer de ouvir a hospeda de sua excellencia. Do folhetim do nosso jovem amigo infere-se que ha profundas e ao mesmo tempo sublimes dôres no coração d’esta senhora. Ai da consciencia do refalsado caracter que privou a sociedade de uma gloria!

«Que o mundo é inexoravel com as desgraçadas, que, ainda abatidas do ceu, roçam as nuvens com a fronte. Silencio! Saudemos o formoso anjo da harmonia, e não perguntemos a Deus por que não teve mão d’esta filha querida, ao despenhar-se!»

Nicoláo de Mesquita leu a chorar as ultimas linhas d’esta noticia.