VIII

Ricardo de Almeida sentiu no seu braço o tremor do braço de Margarida, quando, por noite de lua cheia, passeiavam á Beira-Douro, no sitio de Sovereiras, em S. João da Foz. N’aquelle relanço perpassára por elles um encapotado.

A franceza vira uns olhos faiscantes por sobre a fimbria avelludada da capa: eram os olhos de Nicoláo de Mesquita. Voltára o pescoço para observar-lhe o andar: reconheceu-o.

—É o Mesquita! murmurou ella assustada, amiudando o andar.

—Devagar! disse o fidalgo do Pontido. Que importa que seja?!

—Dizes bem... Que importa que seja?

Nicoláo voltára no encalço d’elles apertando o pé. Ricardo de Almeida deu tino d’isto, e affroixou o passo. Margarida tirava por elle com força.

—Que significa este medo? perguntou o moço, offendido da inquietação da franceza.

—Nada, meu amor, disse ella.