Em 1838, saía a franceza do estabelecimento de uma modista, e estremeceu fitando em rosto um homem, que empallidecera ao encaral-a surprehendido. Era este homem o chanceller do consulado francez.
Ella estugou o passo a evitar a aproximação do seu patricio: era superfluo o susto. O chanceller ficára empedernido, e extatico.
Passava um amigo, e disse-lhe, sorrindo:
—A sua patricia tem causado muitos d’esses spasmos aos portuguezes...
—Não é possivel...—disse o francez abstrahido.
—Não é possivel?!—replicou o outro.
—A impressão que me fez aquella mulher não creio que a possa receber quem a não conhece.
—E conhece-a o senhor?
—Pois não! É a mulher de um dos meus melhores amigos. Eu já sabia que ella fugira de Bruxellas com um portuguez; mas não esperava encontral-a. Onde vive ella?
—Na Cruz da Regateira, a meia legua do Porto, com um fidalgo transmontano, chamado Nicoláo de Mesquita.