O chanceller escreveu na sua carteira, e disse:
—A mulher do meu amigo Ernesto Froment, um dos primeiros fabricantes de Lyão, rico e gentil, moço e honrado, pundonoroso e amigo d’esta infame, como não sei que haja outro! O homem com quem ella fugiu foi hospede de seu marido. Sinto que em Portugal se produzam villões d’este calibre!... Froment cuida que ella está na America. Não lhe direi eu que a vi sem vingal-o, se ha vingança honrosa a tirar de similhante affronta!
O francez retirou-se apressado.
Dias depois, Nicoláo de Mesquita era procurado na serena solidão dos seus arvoredos por dois cavalheiros desconhecidos: um era o consul francez, o outro pessoa importante da sociedade portuense.
O chanceller desafiava Nicoláo, em nome de um marido infamado.
O portuguez tergiversou na resposta. Obrigado a responder explicitamente se nomeava testemunhas, disse:
—Eu não embaraço que madame Froment vá para seu marido, se lhe apraz. Bater-me com um cavalheiro, em quem não reconheço direitos a pedir-me contas, não o faço, sem alienar o juizo que tenho.
O consul redarguiu com azedume. Nicoláo de Mesquita sorriu-se, e replicou:
—Respondi. Os cavalheiros excedem as suas funcções, e collocam-me n’uma posição desagradavel. Estas disceptações costumam resolver-se melhor nas estradas.
O portuguez da provocação ficou-se; mas o consul mordeu os beiços até sangrarem.