Nem mais nem menos, quer provar que o Codigo do Imperador Justiniano—corpo de leis que uma falsa piedade chama «Digesto», sendo elle a causa indigesta de muitas gastralgias intellectuaes—quer provar, digo, que o Digesto, entre muitas que não conheço, traz, uma lei de tamanho absurdo e insensatez, quanta é a indignação com que para aqui a traslado:

Pater is est quem nuptiæ demonstrant.

Em portuguez comezinho:

O pai é aquelle que se diz pae no assento do baptismo.

A versão é de christão catholico, entenda-se.

Aquella regra de jurisprudencia pagã não fala em assento baptismal. Se o legislador fosse baptisado, como estes de agora, a lei não saía assim.

Contra a qual lei temos a articular:

1.º Que o pae é uma entidade muito mais nobre, efficiente, cathegorica, e circumspecta. E demonstra-se:{150}

Quem leu a physiologia da geração sabe que ha cinco phenomenos caracteristicos d'essa funcção de mysteriosa origem. O primeiro d'esses phenomenos, cuja confusa theoria os imperitos podem lêr nas fontes respectivas, é influido pela acção de um ser directo e immediato, que os latinos denominam pater, os inglezes father, os allemães watter, os francezes père, os hespanhoes padre, e nós, com mais suavidade que todos os outros idiomas, pae.

Pae quer dizer «productor, gerador» Parens qui aliquem genuit—isto a meu vêr, é claro como tudo o que se diz em latim.