Deus sabe que tristezas eram as d'elle por causa deste Nunes. O rapaz tinha talento de mais para escrever folhetins lyricos, e outras cousas. Pois nunca escreveu por que não queria assignar-se Nunes.
Ha appellidos que parecem os epitaphios dos talentos.
Um escriptor Nunes morre ao nascer.
Bem o sabia elle.
Houve em Portugal um escriptor chamado Antonio José. Se a inquisição o não queima, ninguem se lembrava hoje d'elle.
Francisco Nunes só poderia viver na memoria da posteridade, se S. Domingos fizesse o milagre de reaccender as fogueiras nos subterraneos do theatro de D. Maria.{12}
Outros lá soffrem tractos agora, mas é em cima, no palco... Se, ao menos, Francisco Nunes escrevesse uma comedia...
Não escrevia nada; mas falava muito, e, quasi sempre, sósinho, em casa, e na rua. Não incommodava ninguem; era um anjo; tinha só a perversidade de chamar-se Francisco Nunes.
Elle ahi vae, faz agora tres annos, por uma rua do Porto, vizinha da de Cedofeita, falando só, e falando, ao que parece, enraivecido. Ninguem o escuta, se não eu, porque lhe vou na alheta, com subtis sapatos de borracha.
Esta rua, por um lado, tem raros edificios; pelo outro é marginada por um comprido muro de quintaes que pertencem ás casas da rua parallela.