—Mãe, por piedade... não me turve a satisfação d'esta pequena virtude. Olhe que não é heroismo isto,{158} não, é a crença, a esperança de que a felicidade ha-de vir para todos nós, se me não desviarem do caminho por onde eu a busco...
«Para todos nós, filha! que innocencia, que illusão a tua! D'esta queda ninguem mais se ergue, e menos eu.
—Ergue, mãe. Verá que o desenlace d'este desgraçado enredo não ha-de ser o que a mãe espera.
«Oh, filha! tu queres que eu sobreviva a esse infeliz que mataram...
—Ninguem morreu, minha mãe. Olhe... aqui tem uma carta do sr. Almeida; escreveu-a elle com o proprio punho; está livre de perigo... Veja, veja o que elle diz...
D. Angelica abriu a carta com fervente soffreguidão, e leu o seguinte:
«Minha prezada amiga. Sei quanto deve ser-lhe penosa a noticia do triste acontecimento, que hontem se deu. Apresso-me a dar-lhe a certeza do nenhum risco da ferida, e rogo-lhe que se convença d'esta verdade, para ser mais suave a cura. De v. exc.ª amigo verdadeiro.—Antonio de Almeida.»
«Isto é verdade, Ludovina?—exclamou ella erguendo as mãos, e apertando a carta ao coração—Isto é verdade, minha filha?
—É, juro-lhe que é...
«Como podes tu jura'-lo? quem o viu?