—Não me respondeu a dez cartas...

—Bem.

—Mas eu escrevi-lhe vinte, e ella respondeu á ultima.

—Ah! isso então muda de figura... E a resposta foi tal que te deu a segurança de seres o proprietario do coração da baroneza!...

—Queres ver a resposta? Franqueza e confiança. Lê lá.

Era um bilhete que rezava assim:

«Tenho recebido por delicadeza as suas cartas. Basta dar-me v. ex.ª o nome de amiga para que eu as aprecie. Não me julgava na obrigação de responder. Hoje, porém, que v. ex.ª me lembra esse dever, peço perdão da falta, e castigo-me devolvendo-lhe as suas vinte cartas,{207} de cuja posse sou indigna, porque não soube corresponder-lhe.

«Com verdadeira estima, attenciosa veneradora de v. ex.ª—Ludovina Pimenta

—Isto é lisongeiro!—disse eu sorrindo.—Com um documento d'estes, é indispensavel a posse que tomaste do coração da baroneza. Eu creio que podia ser assim o proprietario mais abastado do genero...

—Espera lá.. Ainda tenho outros titulos da propriedade. Já agora has-de examina'-los todos, e dizer-me no fim se os meus direitos serão litigiosos. Recebi as vinte cartas, e escrevi mais dez. Que dez cartas! Que estylo! que dez causticos para fazerem supurar um coração!