—Se sei o que se passou!?

«Sim... dizes com tão ironica zombaria o prospecto do dialogo...{211}

—Nada, não: é que me vou aquecendo ao teu enthusiasmo, e o estylo principia a aquecer tambem.

«Ahi vae lealmente, a scena final do definitivo triumpho. Eu tinha posto grandes esperanças na minha pallidez. Tres semanas de cama seriam capazes de fazer amarello um camarão cosido. A primeira decepção, que recebi ao entrar na grade, foi dizer-me a baroneza:

«Ninguem dirá que esteve doente, sr. Marcos! A vida socegada de tres semanas deu-lhe um colorido de saude, que d'antes não tinha.

—Como assim, sr.ª baroneza! Pois a minha pallidez...

«Está enganado; pelo contrario, está côr de rosa, acredite. Eu chamo as suas primas, e verá se ellas não dizem o mesmo.

—Não chame as minhas primas, sr.ª baroneza. Eu preciso que v. ex.ª me escute. Este é o momento solemne da vida ou morte. Hei-de hoje ouvir aqui a minha sentença. A pedra da sepultura já está erguida para mim; o seu braço suspendeu-a; o seu braço ha-de afastal-a de sobre o peito, que me esmaga, ou deixa'-la abafar o meu derradeiro gemido.

«Que linguagem, sr. Marcos!—disse ella—Pelo amor de Deus, faça-me a justiça de me não julgar creança. O infortunio emancipou-me. Não posso ser illudida, nem illudir-me. Tenho aquella dolorosa penetração que adquire o espirito á medida que a boa fé do coração se perde. Com que fim emprega tantos esforços baldados para inquietar-me?{212}

—Eu queria fazer a sua felicidade pelo amor.