«Ludovina fica hoje no quarto—disse D. Angelica, respondendo á pergunta admirada do bacharel.

—Doente?

—Sim, passageiramente doente; mas é tão debil a pequena, tão melindrosa...

—É um corpo que não póde com o espirito... Eu comprehendo o que são esses desfallecimentos d'alma. A filha de v. ex.ª tem uma organisação muito semelhante á minha. As minhas enfermidades são sempre quebrantos, estherismos, lethargia, procedentes das fadigas intellectuaes, ou dos anceios do coração. Compleições infelizes, não acha, minha senhora?

—Oh! infelicissimas, de certo...

—Se, todavia, v. ex.ª tivesse a bondade de dizer a sua filha que fizesse um esforço para me vir contar os seus padecimentos, talvez que uma medicina toda espiritual...

—A curasse?... talvez...

—Sorriso de incredulidade, não é assim? V. ex.ª é{30} sobejamente espirituosa para desconhecer a influencia que exerce uma alma sobre outra, quando as correntes magneticas...

—Não lhe dá treguas a sua paixão magnetica, sr. Sá!... A Ludovinasinha queixa-se de enxaqueca... Eu voto, d'esta vez, por medicamentos caseiros... Talvez que uns sinapismos...—proseguiu ella, rindo, sem ferir o orgão maniaco do bacharel—dispensem uma descarga electrica.

—V. ex.ª não quiz entender-me, ou eu tenho sido confuso na exposição das minhas convicções.