«Se as suas suspeitas condissessem com este aviso, não soffreria mais?
—Matava-a, sr.ª D. Ludovina, dou-lhe a minha palavra de honrado, que a matava, e tiraria os figados pela bôca ao proprio diabo do inferno, e tinha alma de metter uma faca no peito para morrer ao pé de si!
Esta rajada sacudiu todas as fibras bambas do barão. Não teve remedio se não sentar-se, a resumar camarinhas de suor, impando, e arfando como folle de forja.
Ludovina, mais assustada que compadecida, tomou-lhe a mão, e com a outra enxugou-lhe a face.
«Soffre porque me não ama, porque me não crê...—disse ella.
—Não faças caso d'isto, não é nada... não é nada—regougou elle.
«Seja superior aos infames que nos invejam, meu amigo. Não lhes dê o prazer da vingança. A pessoa que lhe escreve, é um miseravel inferior ao meu desprezo.
—Já sei tudo... não falemos n'isso mais. Deite-se, que eu preciso de tomar ar.
«Onde vae?
—Vou ao jardim.{87}