Ludovina recuou tres passos, tolhida de medo. O barão crescia sobre ella, com o braço no ar, arvorando o charuto. A pobre menina temeu as furias de um doudo, e chamou com afflictivo grito a mãe.

Acudiu D. Angelica, já quando o barão, mettendo as mãos nas portinholas da japona, á laia de idolo chinez, voltava as costas a sua mulher.

—Isto que é?!—exclamou D. Angelica.

—Está doudo rematado, minha mãe!—disse, a meia voz, a baroneza.

—Vae-se chamar teu pae, que chegou agora. Nós não podemos viver com um demente...

—Janta-se, ou não se janta?—disse o barão, caminhando para ellas com socegado semblante.

—Que desordem foi esta, sr. barão?

—Desordem! ora essa é fresca! Aqui, que eu saiba, não houve desordem nenhuma... Foi sua filha que viu uma cousa que a fez gritar... A culpa é d'ella.

—Que viste, Ludovina?

—Eu vi um charuto na mão d'este senhor; mas gritei porque elle me deu berros medonhos, e correu para mim com ares ameaçadores.