«Tens razão, Ludovina—murmurou o barão, com as lagrimas nos olhos—Eu estou doudo; o que disse é uma mentira; se fôr necessario, eu peço perdão ao sr. Melchior, e á sr.ª D. Angelica.

—Ouviu, meu pae? Vá, agora vá. Assim fez o que lhe pedi?

«Foi elle que me arrastou para esta sala... Sabe que mais, sr. barão? O senhor o que deve fazer é recolher-se{128} a um hospital, antes que as auctoridades o amarrem. Eu vou requerer um exame ás suas faculdades intellectuaes...

—Meu pae!—murmurou afflictivamente Ludovina—pelo amor de Deus lhe peço que se retire, quando não, vê-me cahir aqui morta.

«Eu vou, menina.

E sahiu, reatando a meditação no divorcio e nos vinte contos.

—Não lhe disse eu já, sr. Dias—continuou Ludovina baixando a voz com maviosa brandura, e assumindo ares de penitente—não lhe disse eu já que o homem ferido pelo senhor era meu amante? que a mulher da janella do jardim era eu? que a culpada, a adultera, a infame, a digna de morte ou do seu desprezo é sua mulher?

«Mentes, mentes, Ludovina! eu ouvi tudo o que tua mãe te disse no quarto.

—Que importa o que o senhor ouviu? Tudo quanto meu marido disser contra mim, tudo o que a sociedade inventar contra a minha dignidade, hei-de certifica'-lo com o meu silencio, e com o meu divorcio. Tudo o que o senhor disser contra minha mãe, hei-de desmenti'-lo em publico, pondo em mim as nodoas que o senhor puzer na reputação d'ella. De maneira que meu marido, quando cuida salvar a sua honra, sacrifica-a, e provoca o escarneo do publico. Vê quaes são as minhas tenções, meu amigo?

«Tu não fazes isso, Ludovina!—rugiu iracundo o deploravel homem—Se fazes tal... Ludovina, se fazes tal...{129}