—Não, com certeza. El-rei tractou mui urbanamente a sr.ª duqueza de Caminha, quando lhe foi pedir o perdão do marido.
—Mas não perdoou...
—É verdade; porém, são muito diversos os pedidos e as causas. Que lhe quer vossa mercê pedir?
—Que deixe vir meu marido para Portugal.
—E não seria melhor buscar meios de elle ser julgado e absolvido?—replicou o fidalgo.
—Não conheço ninguem... e tenho vergonha de fallar aos juizes!...
—Acho justa essa repugnancia...—assentiu o marquez—todavia, se quer fallar a el-rei, maior lhe deve ser o pejo.
Maria, apóz breve pauza, em que ponderou a replica judiciosa do mordomo-mór, insistiu ainda chorando:
—Se V. Ex.ª se compadecesse de nós...
—Em que posso mostrar-lhe que me compadeço das suas magoas?..