—Faz-me v. s.ª um grande beneficio, se me aconselhar.
—Auctorise-me a sr.ª D. Maria a consultar el-rei, meu amo. Parece-me que nenhuma deliberação lhe cumpre tomar sem ouvir o parecer de sua magestade...
—Nem eu me atrevo a pensar coisa alguma em contrario das ordens d'el-rei.
—Mas—volveu o valido, depois de estar alguns minutos recolhido, passando por sobre os dentes a unha do pollegar como se corresse um teclado—Mas, se v. s.ª me promette segredo inviolavel com juramento...
—Prometto...—balbuciou Maria Isabel, tremula de alvoroço, entre receosa e anciada de curiosidade, com os brilhantes olhos postos nos beiços do secretario.
—Promette-me nunca, em tempo algum, em quaesquer circumstancias de sua vida, revelar propriamente a el-rei o que lhe vou dizer?
—Sim... prometto...—affirmou ella.
Antonio de Cavide pegou da mão de Angela, e apontando-lhe um cofre de madre-perola que estava sobre um contador no extremo da sala, disse-lhe:
—Vá a menina buscar aquella alfaia que desejo vel-a.
E, emquanto a menina foi, inclinou os labios ao ouvido de Maria Isabel, e segredou-lhe: