—Quem?

—O sr. Antonio de Cavide...

—Oh!—exclamou o marido de Maria Isabel, arregaçando as palpebras, como se os olhos tumidos de terror ou ira não coubessem nas orbitas—Que dizes tu? Antonio Cavide? o secretario d'el-rei? conhecel-o bem?

—Se conheço, senhor!... e mais eu nunca o vi aqui entrar senão ao fim da tarde, entre lusco-fusco...

—Dize-me o que sabes...—clamou desabridamente Domingos Leite, batendo no hombro ao amedrontado escudeiro.

—Não sei mais nada, meu amo... Ah!.. outra coisa... depois que o Cavide aqui veio, as criadas disseram-me que a menina era açafata do paço...

—O que? açafata!?.

—Sim, meu senhor, e por signal todos começamos a tratar a menina por senhoria e dom, porque a mãe assim o ordenara ás criadas...

—Que mais, Bernardo, que mais?—soluçava em violento arquejar Domingos Leite, com os pulsos fincados nas fontes e os olhos espavoridos na cara atribulada do criado.

—Nada mais sei.