Quedou-se alguns minutos em silencioso anceio; e de subito disse ao criado:

—Que ninguem saiba que estou em Lisboa...

—Ó meu amo!—volveu Bernardo—permitta Deus que a morte me colha, se alguem o souber de mim...

—Fecha as portas, que eu vou sahir; mas não durmas, que eu talvez tenha de voltar aqui esta noute. Vai ao meu quarto, e...

—Não tenho as chaves do quarto de vossa mercê.

—Arromba a porta e traze de lá os meus pistoletes para aqui; se eu voltar esta noite, dar-m'os-hás pelo postigo, logo que eu te der signal, e te chamar.

—Onde vai o meu amo!... pelas chagas de Christo, pense no que vai fazer...—rogou o velho de mãos erguidas.

Domingos Leite encarou-o de ruim aspecto, e interrogou:

—Que cuidas tu que eu vou fazer?! Então sabes onde está essa mulher? Dize, Bernardo! Ordeno-te que m'o digas!..

—O Senhor dos Paços da Graça me tolha esta lingua se eu sei onde está minha ama.