—Por que te enganas a ti propria, ou por que me mentes, Leonor?!
—É uma nova injuria que o meu coração te agradece assim...—E dizendo, beijou-lhe a face e retirou-se.
Ai! Maria da Gloria, como has-de tu combater o veneno corrosivo d'aquelle beijo?!
João de Mattos, varão justo, que tinhas no tom e no gesto a modulação e a postura do propheta, as tuas palavras esculpiram-se no espirito de Alvaro; mas o coração não fora chamado a jurar nas promessas do espirito!
Venceste, Leonor, venceste!... Uma victoria só te falta: olha se rebellas o filho submisso contra a vontade da mãe; espedaça os liames, que prendem essas duas almas; e então levarás a rojo da tua astucia os mais sagrados deveres do coração.
XII
Como se é criança!... como se é
criança!
GOETHE (Werther).
Viu Maria da Gloria seu filho amargurado, e mysterioso. Notou igualmente a ausencia prolongada de Leonor e do cunhado. Industriosamente, se fazia admirada, a vêr se surprehendia o coração do filho. Mallogrados estes meios, foi em direitura à chaga suspeita, e descobriu-a.
—O teu sofrimento são saudades de tua prima, Alvaro.