—Quem me déra ser feliz, meu Deus!
Nunca da consciencia e coração de mulher sahiu tão sincero grito! Se ha fatalidade, era aquelle presentimento da desgraça que lhe fazia tomar como escarneo e mentira o que para Alvaro estava sendo sacratissima poesia, pacto do coração confirmado por Deus, e uma festa de anjos celebrada com a innocencia da mais santa fé e esperança.
—Pois não és tu feliz, Leonor!?—exclamou o apaixonado moço, apertando ao seio a incomprehensivel mulher.
—Sou feliz, sou, primo... Tenho momentos de louca, de perdida... Nem sei o que quero, nem o que digo!... Talvez que o mais acertado fosse desejar a morte...
—A morte!...—atalhou com espanto Alvaro—E eu a amar-te tanto, e a não pensar senão na vida, na felicidade d'este mundo, em que eu creio como nas palavras de minha mãe...
Leonor não replicou: tomou-lhe o braço, e desceu para o palacete, onde os esperavam Maria da Gloria e Cecilia.
Quando, alta noite, Alvaro ia contando na carruagem a mysteriosa scena do bosque, Maria sahiu d'um recolhimento profundo, e disse:
—Já lá vão dezenove mezes de estudo, e parece que não estudastes ainda nada, meu pobre filho!... Espero que a Providencia te abra os olhos... Foi o que eu pedi á alma da santa de Vairão, e descancei na efficacia da supplica. Has-de vêr Leonor como eu te vejo a ti Alvaro.
XIII
«Adeus!»... palavra fatal!