Ás onze horas, disse-lhe Alvaro:

—Vamos ao lago, Leonor? Vejo-o d'aqui tão lindo e prateado pela lua!...

—Vamos—respondeu ella após curta hesitação.

E Alvaro replicou:

—Parece que não vaes de vontade!

—Vou; mas deixa-me ir buscar um chale, que estou levemente constipada.

—Então não vamos, não, minha prima... Eu não sabia...

—Havemos de ir...—tornou ella—Espera um pouco...

Foram. A superficie do lago estava em verdade encantadora. A bacia era franjada de festões curvados e espelhados na agua morta e limpida. Entre os arbustos relampejavam os vaga-lumes, e á flôr da agua saltitavam uns insectos cujas azas reluziam douradas pelo luar. A espaços, resaltavam os escallos á tona, e abriam muitos circulos e em cada circulo uma zona de prata.

—É dizem que não ha felicidade n'este mundo?...—murmurou Alvaro, tomando nas suas as mãos de Leonor—Que é isto que eu sinto, e tu deves sentir agora!...