Aqui temos face a face estes dous infelizes. Afigura-se-nos que o severo anjo do castigo os está contemplando com formidavel silencio. Miguel tem um cavallo, que o leva para longe do semblante amargurado e desbotado de sua mulher. Leonor tem no jardim uns caramanchões, que a escondem a ser observada pelos olhos iracundos de seu marido. No recesso d'aquelles caramanchões estão os bancos rusticos em que Alvaro se assentava. Alli á beira do lago está o escabello de cortiça em que ella ficara sentada, quando Alvaro foi buscar a capa. Por que não creremos na muita dor e muita saudade d'aquellas lagrimas, que Leonor está chorando!?
Ahi estava sósinha ao entardecer, quando uma sege entrou no pateo.
Leonor admirou-se: já ninguem a visitava de carruagem. A nova criada não conhecia as relações antigas. Disse-lhe que a procurava uma mulher, que não tinha geito de senhora.
—Isso me quiz parecer...—disse Leonor entre si—mas de carruagem!... Alguma nova credora, a quem eu hei-de pagar a carruagem...
—O boleeiro traz libré—disse a criada.
—Libré!—murmurou Leonor—Então enganei-me...
Era Eufemia, a ama de leite de Alvaro.
Fitou com espanto a sobrinha de sua ama, e pediu-lhe licença para a abraçar!
—Abraça-me, Eufemia! e deixa-me chorar no teu seio, que não tenho mais ninguem!—disse a soluçar Leonor.
—Está muito infeliz, minha senhora?!—perguntou Eufemia.