—Estou pobre: escusas de perguntar-me mais nada. E minha tia vive feliz?

—Feliz, não! Com aquelle filho sempre triste, como ha-de ella ser feliz!... Pobre menina! Quem a viu e quem a vê! Era tão linda!...

—E achas-me feia, Eufemia?!—perguntou Leonor com um triste sorriso, expressão talvez da vaidade ferida, da vaidade, extremo reducto em que a mulher, que foi bella, ainda affronta a desgraça.

—Feia, não, minha querida senhora... Acho-a mais magrinha, e sem aquellas côres de roman, que pareciam dar saude á gente... Em fim, é conformar-se com a vontade de Deus, e pedir á Virgem Maria que dê saude a sua tia, que é uma santa. De mando d'ella é que eu vim aqui trazer-lhe uma encommenda, e dizer a vossa excellencia que, nos fins dos mezes, cá venho trazer-lhe outra assim.

Eufemia depositou sobre uma mesa um rôlo de dinheiro.

—Dirás a minha boa tia—disse Leonor com as lagrimas estancadas nas palpebras—que a pobre Leonor acceita a sua esmola, e lh'a agradece com este pranto que vês.

Eufemia pediu nova licença para abraçal-a, e disse-lhe por ultimo:

—D'hora a hora Deus melhora, minha menina. Lembre-se que sua tia padeceu onze annos...

—Minha tia era um anjo de innocencia, e eu estou expiando culpas enormes: ella consolava-se com a mesma injustiça, eu sinto que mereço o castigo.

Eufemia deu conta da sua commissão a Maria da Gloria, e retirou-se quando Alvaro entrava.