—Não vás, meu amigo, não tornes a Porto-Alvo.
—E quem te disse que eu vou a Porto-Alvo?!—respondeu carregando o sobr'olho.
—Diz-m'o o coração...
—O coração!...—redarguiu sorrindo o marido—O que é o coração!... O coração não diz nada. O coração é um vaso onde passa o sangue. O coração, que não é isto e simplesmente isto, é um tolo. Eu não vou a Porto-Alvo. Vou ao Poço do Bispo onde me esperam alguns amigos para conjurarmos na derrota do ministerio, e na morte de Agostinho José Freire.
—Mentes, Miguel!—exclamou Leonor.
—Agradeço a amabilidade, e vou, porque não posso deixar de ir.
—Miguel!—tornou ella com vehemencia e excitada a lagrimas—não vás... Olha que o tio morgado teve aviso, e elle é mau, e tu ficas um dia morto.
—Quem o avisou?!—replicou, risonho, o marido—Serias tu? Capaz serias da calumnia!... Como sabes que elle foi avisado?!
—Sei-o... Não vás, peço-t'o com as mãos erguidas!...—e chegou a dobrar os joelhos diante d'elle.
—Como queres tu que eu deixe de ir a um compromisso de honra, Leonor? O meu destino é o Poço do Bispo, já t'o disse.