—Agora diz que foi uma mulher que o matou!...—dizia o morgado—Não ha duvida! está louca a infeliz senhora!

—Não estou louca, não, scelerado!—bradou Leonor, contorcendo-se nos braços das amigas—Mataste-o tu, cobardemente, feroz villão! Mataste-o e cuidas que a boca do morto não ha-de revelar a infamia de tua...

N'este ponto, os labios de Leonor foram cerrados pelos dedos de mão, que não era de alguma das senhoras, que a estavam a custo segurando. Leonor olhou de revez para quem lhe fazia a violencia, e viu Maria da Gloria.

O mesmo foi vêl-a, e lançar-se-lhe aos braços, exclamando:

—Ó minha tia, eu sou muito desgraçada!... Abra-me por piedade o seu coração, e esconda-me ao espectro do meu remorso...

Maria da Gloria abraçou-a com transporte, e disse ás senhoras e cavalheiros:

—Eu entendo que não devemos ter minha sobrinha exposta a estes accessos da sua doente imaginação. Consintam que eu me recolha com ella ao seu quarto, e haja ahi uma alma piedosa, que nos dispense de cuidarmos do enterro d'esse infeliz. Vamos, Leonor.

XVI

Suadeo tibi emere à me aurum ignitum
probatum, ut locuples fias.

Admoesto-te a que me compres o
meu ouro de fino quilate para te locupletares.