—Escura é a existencia sem meios de a fazer brilhar, minha senhora. Eu sei, tambem como vossa excellencia, que os seus muitos recursos procedem da amisade d'uma tia millionaria, que vossa excellencia tem.
—Não ha duvida; mas eu não disse ainda a vossa senhoria que me dotava com estes recursos, e vossa senhoria, nas suas cartas, falla-me da felicidade da solidão, e da doçura do pão ganhado com o nobre trabalho da intelligencia.
—Tambem é certo—redarguiu algum tanto confuso o jornalista—era, porém, intento meu fazer o elogio da mediocridade em relação áquelles que não conheceram a opulencia. Neste caso não está vossa excellencia: estou eu; mas eu é que não devo sacrificar a felicidade real da senhora D. Leonor ás minhas phantasias de philosopho. Todavia...
—Queira dizer-me—interrompeu a viuva—a quem pediu informações dos meus recursos?
—Não as pedi, minha senhora: seria grandemente ignobil o pedil-as; não as averiguei; deram-m'as.
—Quem?
—Conhece vossa excellencia por ventura um mestre de inglez!?
—Conheço.
—Como conhece, minha senhora?
—Fallou-lhe esse homem em meu primo Alvaro Teixeira de Macedo?