—E a chorar me pedes um convento, Leonor?
—Quem deixaria de chorar a esta hora, Alvaro!...
—Eu, bem vês.
—Tu, sim, primo... Só podiam ser do coração as tuas lagrimas!...
—Não são, não devem ser...—Alvaro concentrou-se, levantou ao céo os olhos, e continuou:
—Irás para um convento, deixando-me sem condições a licença de regular a tua casa. As criadas de minha mãe irão comtigo, menos Eufemia, que me embalou o berço, e me ha-de fechar o caixão. Ámanhã iremos para Lisboa. Se, durante a noite a reflexão alterar o teu proposito, dir-m'ohas, Leonor.
No proximo dia, sahiu Leonor com as suas criadas para Lisboa. O padre Alvaro anticipou-se algumas horas, e foi em direitura ao convento de Santa Joanna, e d'alli ao conseguimento das licenças ecclesiasticas para a reclusão de sua prima.
N'esse mesmo dia, entrou Leonor de Brito no mosteiro de franciscanas, e depós ella uma sumptuosa mobilia.
O padre abraçou-a no portico do convento, e disse-lhe:
—A paciencia faz os anjos: pedirás a Deus por mim, quando te sentires alumiada da graça que fortalece e santifica.