—Não, por ora não. Estes primeiros dias não podem ser repartidos nem consolados por ninguem.
Beijei-lhe a mão, que transpirava um suor rescaldado.
—Queira perguntar ao boleeiro se me leva aos «Olivaes»—ajuntou elle. Levei-lhe a resposta affirmativa, e a sege partiu, a passo rapido.
Fiquei conversando com o amigo do padre.
—Não o tornaremos a ver—disse-me elle consternado—Padre Alvaro não vive muitos dias; o senhor verá. Eu d'antes, quando o via desconfortado e com signaes de pouca vida, dizia-lhe:—«lembre-se d'aquella infeliz, que não tem mais ninguem no mundo.» Parece que isto lhe dava alma nova! Agora, não ha nada que o prenda á vida, senão o sofrimento...
—Mas eu cuido—interrompi—que o padre Alvaro ha-de achar sempre na sua vida occasiões de ser util a muitos outros desgraçados, embora se ofereçam com titulos menos valiosos á sua beneficencia. Em quanto houver um homem que lhe peça conselhos, esmolas, ou intercessão com Deus, o padre, qual elle é, não póde julgar terminada a sua missão n'este mundo.
—Essas conjecturas são conceituosas, e de bom juizo—redarguiu o sujeito—mas os negocios do coração alheio correm de modo muito diferente das nossas razões, pensadas, a espirito socegado, embora nos doam os infortúnios do nosso amigo.
E ficamos concertados a mandar no dia seguinte saber novas do nosso amigo.
O portador não nos trouxe resposta á carta. A snr.aEufemia hesitara em levar-lh'a á camara, onde se elle fechára; fôra por fim; mas voltara sem resposta, ou promessa de responder, quando podesse.
Decorrera uma semana em esperanças, até que um dia o amigo do padre me procurou para me dizer que a velha Eufemia lhe escrevera, dizendo-lhe que o seu amo estava em perigo de vida. D'alli partimos no mesmo ponto para Santa Apolonia, e de lá para os «Olivaes».