—Por ser sua mãe.

—Por ser minha mãe!... Não entendo!...

—Assim me quer parecer; mas eu lhe aclaro a escuridade. Honram-se de serem mães, e o mundo honra aquellas mães, que estão ligadas por um sacramento aos paes de seus filhos. Agora de certo me entendeu.

Alvaro fez um gesto afirmativo, e disse:

—E minha mãe não estava assim ligada a meu pae?

—Era isso que eu cuidava; mas, estimulado tambem da sua curiosidade, pedi informações, que obtive logo, e já podéra ter-lh'as revelado, se as julgasse d'alguma utilidade, ha mais de dous annos. Vou agora contar-lhe o que sei de sua mãe. Conheço a causa da sua tristeza: é ella. Esse seu amor vago de filho tem influxo do céo. Alguma cousa quer Deus que se esconda n'esse amor; e a minha consciencia manda-me fallar.

Seu pae casou ha quatorze annos com uma senhora de rara formosura e rica, filha d'um negociante portuguez em Macáo. Maria da Gloria é o nome de sua mãe.

Os olhos de Alvaro reluziam, e a purpura do rosto inflammava-se á medida que o professor ia rompendo o véo que, para assim dizer, lhe velava um novo mundo de affectos, de sentimento, de esperanças, e um destino imprevisto.

Continuou o mestre:

—Seus paes viviam extremamente felizes, e o menino nasceu ainda na época da felicidade. Tinha Alvaro alguns mezes, quando sua mãe sahiu da companhia de seu pae, para, volvidos alguns dias, entrar n'um convento da provincia do Minho, onde vive agora. Não me peça esclarecimentos que não posso dar á sua idade, nem os daria ao seu pundonor, se o senhor Alvaro, em vez de doze, tivesse vinte e quatro annos. Fique sabendo que sua mãe é viva.