Foram as breves e ultimas palavras que o mestre lhe disse a tal respeito.

Alvaro não respondeu, de confuso que devia naturalmente ficar. A educação, a convivencia de moços como elle innocentes, a ignorancia das novellas que ensinam o espirito a tirar, por comparação, os vicios reaes da desnudez dos vicios imaginarios, eram causa a serem de todo o ponto mysteriosas para Alvaro as razões que haviam levado sua mãe a um convento, de modo que seu pae a tinha em conta de morta, e queria que seu filho assim a julgasse.

Foi Alvaro, de vontade sua, passar alguns dias a casa. Fez especie em Manoel Teixeira a extraordinaria vivacidade do moço. Folgou com a mudança, e foi agradecer aos professores, e especialmente ao mais amigo de seu filho, as melhoras do pequeno. De feito, Alvaro estava preoccupado de uma idéa que lhe dava novos espiritos.

Estava elle, um dia, em conversação acintemente promovida com Eufemia, e encaminhada ao ponto de lhe dizer:

—Quem me dera vêr um retrato de minha mãe!

Eufemia fitou os olhos n'elle, abraçou-o, beijou-o, como quando o tinha ao peito, e, entre lagrimas e soluços, balbuciou:

—Se a visse!...

—Ella de certo morreu, minha Eufemia?—tornou elle, acariciando-a—Falle a verdade... Não minta ao seu Alvaro!...

—Para que me faz essa pergunta, menino Valha-me nossa Senhora dos Remedios! Deus me não salve, se eu sei o que lhe hei-de dizer.

—Diga a verdade, que é o mais agradavel a Deus.