—Feche a gaveta, que eu prometto contar-lhe tudo—disse ella—Venha depressa, que eu ouço passos... E o paesinho que vem...
Não era; mas o medo figurava horrores na cabeça da pavida mulher.
Alvaro sahiu, depois que repoz o retrato no seu lugar, com tal cautela, que não podia denunciar mão estranha.
—Conte-me agora o que souber—instou elle com a ama.
Eufemia oscillou ainda; mas, obrigada por um gesto de justa severidade com que Alvaro censurava a hesitação, disse o seguinte:
—A razão por que sua mãesinha foi para o convento... ainda que eu lh'a diga, o menino não a entende.
—Mas diga, e depois me explicará, se eu não entender.
—Olhe, o seu pae foi a Macáo receber a herança de sua mãe, que era de lá...
—Já sei.
—Sabe?! quem lh'o disse? Credo! Aqui parece que anda bruxaria!