«D'onde vem o amarmos as cousas bellas? porque são bellas; e as boas? porque são boas.» Vão tomando nota.

Outra passagem:

«Uma paixão nos senhoreia e nos abandona, sem podermos atinar com o porquê. Sahimos a negocios, e depara-se-nos ao dobrar d'uma esquina a mulher, que vae transfigurar-nos o coração.»

Ultima citação:

«Como havemos de conjecturar uma paixão que a si mesma se defenda de demasias? Absurda cousa! Para a paixão ha um freio sómente: é o desgosto ou o fastio.»

Conclusões a tirar em favor da paixão de João de Mattos, sem implicancia das suas excellentes qualidades:

Não sabia elle como nascera o seu amor; menos sabia ainda como havia de matal-o. Amou pelos olhos Maria da Gloria; mas as mil avenidas da sua alma tinham sido escaladas pelo amor. Amou a formosa porque era formosa. Achou-se transfigurado no coração, quando o cria esmagado sob a graveza dos cálculos ambiciosos de gloria. Quiz enfrear os impetos do sentimento; mas, antes do fastio, não ha hora alguma em que o amor, coma o leão sezonatico, se deixe acorrentar.

Ahi está. Se eu não consegui desculpar o magistrado com o livro—O DEVER, perdôem-lhe os leitores por misericordia.

Quaes foram, porém, ás demasias do visinho de Maria da Gloria? Escreveu uma, duas, seis cartas, longas e eloquentes como devia dictal-as o coração e o genio. A esposa de Manoel Teixeira peccou lendo a primeira, e lendo todas; mas não respondeu a alguma.

João de Mattos subiu um dia as escadas da esposa leal, e ajoelhou-lhe, quando ella sahia da sua antecamara para ir beijar o filho no berço. Maria da Gloria estendeu o braço para a porta da sahida, e disse ao homem corrido e allucinado: