Teixeira sentiu o golpe involuntario d'estas palavras, e murmurou:
—Deus, que deixou a tua innocencia nas trevas de onze annos... Que Deus!...
—Não offendas a mão Divina que me amparou...—tornou Maria.
As familias, reunidas na grade, sabendo que os esposos tinham sahido do pateo, desceram a seguil-os. Sebastião de Brito bradou de longe:
—Olé! Esperem lá, que nós vamos tambem. Duas luas de mel é muita lua! Conversem sósinhos em Lisboa, e dêem á gente uma particula da sua felicidade.
Quando se ajuntaram, continuou o morgado dos Olivaes:
—Queres saber, Manoel? A tua sobrinha Leonor está poeta... Não falla senão em versos. E preciso que Alvaro seja poeta.
Riram todos, porque de todos era sabido o projecto de matrimonio entre os dous primos.
—Então gostas muito de versos, Leonor?—disse Maria.
—Muito, principalmente dos que faz o senhor Sotto-Mayor.