—Ora! não ha muitos dias que eu estava a lêr-te o Oriente, e tu disseste que os versos do padre José Agostinho eram gordos e atoucinhados como o author.
—Pois sim, eu disse isso a brincar; mas, se não gosto do Oriente, poderei, lendo os teus versos, tomar gosto pela poesia.
O coração de Alvaro estava cheio de lagrimas. Fizera-se-lhe uma luz súbita no espirito. Recordou-se do enthusiasmo pueril de Leonor pelo poeta de Villa do Conde, e concluiu d'elle para a visita aos Olivaes. Apenas nascido, o abutre do ciume recurvou-lhe as garras no seio. A paixão deu-lhe o desembaraço, e a dor a eloquencia. Buscou ensejo de estar só com Leonor, e disse-lhe com os olhos marejados de pranto:
—Tu de certo não vens comnosco para Italia?
—Que pergunta! Eu já disse que não ia.
—E por que não vaes, Leonor?
—Porque não quero deixar meu pae, nem troco os regalos de ver mundo pelos afagos d'elle.
—Mas teu pae tem vontade que venhas...
—Deixal-o ter; se elle não présa a minha companhia, préso eu a d'elle.
—Ha outro motivo, minha prima—redarguiu Alvaro com muita tristeza corada por um suave sorriso de artificio.