CAPITULO ULTIMO
Argumento
Dezesete annos depois
A velhice de Gervasio José de Barros enrijou-se nos frios do norte. Sempre laborioso e commerciante, o pae de Innocencio aparou as pontoadas dos desgostos no forte peito encouraçado pelo amor com que estremecia o neto.
Pedro, educado para herdeiro de um grande patrimonio, foi aos oito annos começar a carreira dos estudos no King’s college and School. O velho, ao separar-se lagrimoso d’elle, disse aos professores:
—Meu neto é muito rico: não m’o mortifiquem. Ensinem-lhe o que é necessario saber um mancebo que tem muito de seu.
Á volta de poucos dias, sobreveio ao ancião maior agonia: morreu-lhe a esposa; matou-a, sobre a saudade do filho e a deshonra da afilhada, a nostalgia, o incessante lembrar-se do seu Porto, da sua rua das Cangostas.
Têmpera de ferro era a do viuvo! Sósinho em Londres, forçado a silencio por não ter quem o entendesse, ia para o collegio espraiar tristezas com o neto, e atirava-se ás canceiras mercantis para arrancar-se ás prezas da saudade.
Revigorou; mas esteve quasi a pique de ir a terra quando os amigos portuenses lhe participaram que Thomazia, esposa de Nicoláo d’Almeida, estava no Porto, dando bailes, onde compareciam as familias mais graúdas do commercio e da aristocracia, sem excepção do commendador Batalha.
—Oh! que patifes!—exclamou Gervasio.—Oh! que corja é aquillo!