—Eu sustento as frases d’este senhor—interpoz-se Pedro de Barros.

—E o senhor quem é?—perguntou o fidalgo de Caminha.

—Não sou tenor. Quem o senhor seja, não pergunto eu. Conheço o senhor Nicoláo d’Almeida. Um homem da sua estofa não póde chamar villão a outro.

—Quê?—atalhou Nicoláo enfiado.

—Explicações para occasião conveniente.

—Figura-se-me que o senhor é parvo dos que a prudencia manda tolerar—replicou sereno e quasi recobrado o portuguez.—Estou arrependido de me inquietar um momento com a sua pessoa.

Pedro de Barros correu os dedos pelos cabellos, surriu-se e murmurou:

—Verei se a coragem corresponde á infamia. Os assassinos da honra não costumam arriscar senão palavras. No entanto, veremos.

—Algumas vezes arriscam sujar a luva com que dão a bofetada—retorquiu Nicoláo d’Almeida.

Pedro de Barros levantou-se. Esperou que cincoenta commensaes se calassem impressionados pela postura oratoria do sujeito, e disse apontando sobre Nicoláo: