—Compreende a minha situação, visconde—dizia Barros.—Eu sou filho da mulher que matou meu pae com a villania do seu proceder. Este homem arrebatou de casa minha mãe, no dia em que meus avós choravam a morte do filho. Eu não posso dizer ao infame quem sou. É invencivel a vergonha que tenho de que elle o saiba. O meu proposito é vingar meu pae...
—E queres que elle morra na ignorancia de que és o vingador de teu pae?
—Não. Hei de dizer-lh’o, se a morte lhe der tempo de m’o ouvir.
—Mas eu não achava feio que te declarasses—sobreveio o outro amigo.—Era até bonito e novo! Um filho a vingar seu pae...
—Se eu o declarar, elle não se baterá comigo, porque sou filho da mulher com quem elle é casado. Engulirá as affrontas, e dirá com dissimulada covardia que não desfecha uma pistola ao peito do filho de sua mulher. E depois? que é da minha vingança?
Os amigos assentiram com repugnancia; mas condescenderam em que Pedro de Barros se chamasse Richard Grattan.
Abriu-se a sessão dos parlamentarios. Congregaram-se os quatro padrinhos. Os dois portuguezes, sabido o nome do insultador, que os francezes abonaram como pessoa de primeira distincção e riqueza, segundo entendiam de o verem no concurso de illustres inglezes, caíram logo na particularidade da sua missão. Os quatro vieram ao consenso de que o combate fosse á pistola, a vinte e seis passos. Precisaram a localidade em Abbaye de Longchamps, no Bois de Boulogne, na madrugada do dia seguinte.
Perguntava Pedro de Barros aos seus padrinhos:
—Quem escolheu as armas?
—Elles.