—Pois que é? lê, filho.

—Não... Deixa-me...

Ao proferir estas palavras, com os olhos cravados na carta, e a cabeça a tremer como o papel nas mãos convulsas, arrancou um grito estridente, e bradou:

—Matei meu filho!

As palavras que elle tinha lido eram estas:

O rapaz com quem te bateste não é inglez, nem se chama Richard. É portuguez, é o filho do primeiro marido de tua senhora e chama-se Pedro de Barros...

—Matei meu filho!—bradou elle segunda vez.

Thomazia não lhe ouvira o segundo brado. Tinha caído nos braços de Lopo, trespassada de frio mortal.

—Matei meu filho!—exclamou ainda Nicoláo d’Almeida.

Avermelhára-se-lhe subitaneamente o rosto. Rutilavam-se-lhe as pupilas errantes em volta de si. Ergueram-se-lhe arriçadas as sobrancelhas, e avincou-se-lhe a fronte em profundos sulcos. Os beiços pareciam alligados entre si, como se os rebordos labiaes se unissem. Contrairam-se as maxillas uma contra outra, premindo-se de modo que davam um som asperrimo de rengir de dentes. As veias frontaes e jugulares latejavam infladas. Depois, os spasmos dos musculos da face completavam o horror da desfiguração. Ao contrair das pupillas correspondia o arfar das cartilagens nasaes.