—Sim... eu...

—Pois ahi tem o que hade ser seu marido.

—Ora!... Quem sabe?...

—Quem sabe!—respondeu severamente Custodia, pondo um braço ao alto, e um dedo apontado.—Quem sabe?! O meu S. Gonçalo d’Amarante é que sabe, e, por intercessão do glorioso santo, Deus é que o quer.

Thomazia abriu a carta. A lettra era ingleza, garrafal e elegante de hastes, enquadrada em cercadura de flores que enramavam frecheiros Cupidos. Custodia cavalgou os oculos para se pasmar de um coração ferido em ninho de folhagem, sobre a qual duas calhandras ou passarinhos parecidos, asseteados tambem do amor, davam mostras de se estarem beijando com os amorosos bicos.

—Vejam vocês! que graça teem estes bonecos!—dizia a senhora Custodia, jogando com a cabeça e oculos para apanhar em cheio o raio visual.—E este menino tão gordo!—proseguiu ella pondo o dedo arroixado de um unheiro sobre a cara jubilosa de Cupido.—Isto não póde ser o menino Jesus, por que tem aqui uma cestinha á bandoleira. Será São Joãosinho?

—Nada, não é—corrigiu a menina.—Isto é o Amor.

—O amor?!—interrogou com absorta ignorancia a senhora Custodia da Porciuncula.—Este rapazinho assim era pêllo é o amor?...

—Foi o Innocencio que me ensinou a conhecer o retrato de Cupido. Chama-se Cupido tambem.

—Ah! isso póde ser; que eu, quando era moça, bem me lembra de ouvir cantar o boticario da minha terra umas modinhas á guitarra, onde dizia lá o verso: