Maldito seja o cupido
Que cravou no peito meu
A setra que não penetra,
Marilia no peito teu.
—Já hoje se não cantam d’estas modinhas!—continuou em tom de lastima a velha, tirando os oculos.—Agora o que se ouve por ahi é umas senhoras a dar uns guinchos que parece que estão com as dôres de parto. Pelos modos cantam á moda italiana...
—Vamos agora ver a carta?—atalhou Thomazia.
—Vá lá.
Começou a menina deletreando correntiamente o fraseado. A velha abria os olhos á proporção da bocca, por onde ella dava signaes de querer engulir a indigesta intelligencia das expressões. Thomazia ia lendo monotonamente e ladeando a vista d’uma linha para a outra á espera de topar palavra em que tomasse o fôlego e sentisse a satisfação de entender a idéa do namorado estilista. Chegou a anhelada passagem. A seguinte frase ajustou-se-lhe ao entendimento esclarecido pelo coração: «Suspiro por vós como o rôlo que geme na arvore solitaria pela rolinha amada.»
—Ai!—suspirou Thomazia.—Vês o que elle diz, Custodia?
—Elle que diz?—perguntou a velha.—Má mez p’ra mim, se eu entendi pataca! Ha uns modos de dizer á moderna que parece latim! E a menina já sabe isso que ahi diz o que é que diz?