—Já contei ao padrinho... Se elle não quer acreditar, deixal-o. O que eu faço d’aqui em deante é não tornar á janella, e acabam-se as desconfianças...
—Como as desconfianças se acabam sei eu,—emendou D. Thomazia.—O que se hade fazer ao tarde faça-se ao cedo.
—Dizes bem, mulher!—obtemperou o marido.—Hade isto ficar decidido aqui hoje.—E voltado solemnemente ao filho, continuou:—Innocencio, queres receber por tua esposa esta menina?
Deteve o rapaz a resposta, roendo a unha do dedo pollegar, e revirando de soslaio os olhos a Thomazia.
—Então?—bradou o pae—comes os dedos ou respondes?
—Ella que diga...—murmurou Innocencio, passando a roer nas unhas da outra mão.
—Afilhada!—apostrofou o velho guardando os mesmos tom e postura graves.—Queres casar com meu filho?
A menina corria a orla do avental retorcendo as franjas de retroz uma por uma com os seus alvissimos dedos.
—Responde, Thomazia!—tornou Gervasio dando aos hombros com impaciencia.
—O padrinho bem sabe a minha vontade... Eu estou por tudo... mas...