—Mas quê...—abreviou o velho desconfiado das reticencias.

—Se elle me não ama depois... O padrinho bem sabe que o Innocencinho nunca me disse se eu queria casar com elle... Tem lá outros namoros de meninas ricas... e eu sou uma pobre orfã... Se depois se arrepender...

—Que dizes áquillo, Innocencio?—tornou Gervasio.

—Eu...

—Sim, tu! pois com quem diabo fallo eu!

—Ó Gervasio!—atalhou a irmã Sebastiana—não tens precisão de fallar no porco-sujo!...

—Pois que querem vocês?—explicou o velho.—Um homem perde a paciencia! Está ali aquelle focinhudo a roer os cascos, e não acaba de desembuchar o que lá tem dentro!

—Responde a teu pae, menino!—interpoz-se D. Thomazia.—Ou sim, ou não. Contra vontade não quero que te cases...

—Isso é assim!—atalhou um novo personagem n’esta poetica e fidelissima scena de familia.

Era a senhora Custodia da Porciuncula que assomava no limiar do escriptorio com as calmandulas enroscadas no pulso.