Thomazia não reparou n’elle. Entrou ao quarto, calçou os seus confortaveis sapatos de tapete, e saiu para ir desabafar com a velha.

Retrocedamos. Na Praça-Nova é que se acastellam as nuvens borrascosas; que as scenas das Cangostas de vulgares que são, mal quadram n’este livro em que o sublime roça pelo sobrenatural.

Quem primeiro levou a casa do senhor Joaquim José de Barcellos, pae de Rosa, a noticia do casamento de Innocencio com a orfã Thomazia, foi o sacristão de S. Nicoláo. A authoridade era indeclinavel; ainda assim, Joaquim José bufava com os dois punhos sobre o balcão, e bramia:

—Você que diz?! você que diz?!

O sacristão dizia que tinha alumiado com uma tocha a cerimonia do casamento, e recebera trez pintos da mão de Gervasio.

Rosa descia á loja, n’este acto, perguntando ao pae se o correio já tinha vindo. O indiscreto progenitor encarou na filha com um surriso empeçonhado de injusta cólera, e regougou:

—Já veio. Aqui está...

E apontou para o sacristão, continuando:

—Diga você a esta menina o que me disse a mim.

O funccionario do templo encolheu-se e tergiversou compreendendo a agudeza do ferro que ia remessar ao peito da menina. Rosa estava literalmente ás aranhas, sem perceber o silencio do desconhecido sacristão nem o surriso ferocissimo do pae.