—Então que é, papá?!—perguntou ella.
—Que é? que é?—ullulou Joaquim de Barcellos.—É que o teu noivo... esse patife... esse ladrão... casou hoje com a rapariga que lá foi creada em casa.
Á palavra casou, Rosa não exalou o ai! do costume, nem o oh! menos vulgar. Primeiro estremeceu, depois abriu a boca, porque ninguem se exime da acção que exerce o espanto sobre o queixo inferior; em seguida, rodou sobre os calcanhares vagarosamente; e por fim, foi-se embora.
Os irmãos tinham assistido a esta calamidade de familia, ora lividos de espanto, ora afogueados de ira.
—E agora?—exclamou Joaquim José.—Esta vergonha!... O descredito da minha filha!...
Leonardo, o filho mais velho, o secretario da irmã, o inventor do ch em paixão, tôrvo, sinistro, a passo mesurado acercou-se do pae e disse-lhe com voz de tirano rouco:
—Se o pae quizer... mata-se!
—Vae-te p’ro diabo!—respondeu o velho.—Hasde sempre ser uma cavalgadura!
—Os creditos de minha irmã...—redarguiu respeitosamente Leonardo.
—Não fosse ella tola...—retorquiu o velho.—Obrigasse-o a casar ha mais tempo! Agora é pegar-lhe com um trapo! Ora vejam vocês que risadas não darão os nossos visinhos! Aqui o Magalhães, quando souber isto, vae com uma campainha por toda a parte...